Poemas ou Prosas afins assim...


Meu Bom Amor pelos Poetas

 

Deixo de ser ousada quando paro de perscrutar o pensamento de algumas estrelas. A lua não colabora com meus poemas esquisitos se minhas mãos tremem e bocejo versos tinhosos sobre qualquer papel branco. O céu surrupia-me os desejos e os sonhos bruxuleiam inquietos. Candelabros antigos queimam meu travesseiro e amaldiçôo um soneto porque a estrofe não casa, não casa e não casa. Uma palavra bastaria e apenas uma.

Amo poetas com o mesmo frenesi das madrugadas que os possuem. Quando os seus versos explodem vermelhos amanhecendo encharcados pela noite mal dormida. Se meu abraço não os alcança - é o sentimento - um novelo de linha desgarrado como poesia o que aquece a chama de tantas velas coloridas. Eucreio em beijo de jardim que enternece parque.

                                                                                                                            

In Natura   

 

Ajeito flor para aquecer vasos e alinho quadros para encantar os cantos das paredes. Sorrio para os deuses   que me cercam com inebriadas bobagens. Converso comigo mesma sempre à mesma sombra da tarde. Sou espécie em ebulição sempre cativa dos laços. Quando planto árvore, tenho desejo de virar folha para proteger o fruto. Piso manso em respeito às pedras que também guardam caminho.

Já cultivei manias como ver estrelas de dia e pernoitar noites em claro. Hoje não tenho uma fruta preferida mas muitos versos mordidos. Tenho um apetite que só passa quando belisco realidade e uma tal de lucidez que só se acalma quando sonho pesado. Um dia de cada vez.

Aluarada

Dona de célere passo curto, esticava pensamento até alcançar busca. Navegava rio com sonho a vela. Imitava pirilampos e não guardava segredo com estrelas. Consagrava noite fora de casa até ser clareira com trilha de mata. Sua natureza azul não temia profundidade. O anoitecer elucidava deserto e oásis compreendia sol. Mantinha olhar correnteza de rio. Onde o sonhar fosse rio, navegava o possível.

Caderno de Viagem

 

reaprendo a contar dias . percorro o caminho do olhar.  água, tuiuiús e sentimentos. se não soubesse o que ser seria ainda assim algum pedaço de caminho entre o que vejo e o que penso. todo olhar deveria ver novo até desfazer solidão. queimar planície - testar pele. sem protestos o sol convence firme: o caminho à frente será curto se o trajeto não for meu. tenho passo longo - falo sério. biodiversidade deveria ser palavra e chave. abro meu caderno e espio quente a arara azul que compreende o jeito com que voa meu pensamento. além do quê, o olho não alcança  a queimada que inibe o azul do céu - uma outra cor da vida.  eu queimo por dentro ao ver o que me resta: o velho combustível de alma - escrever, escrever e escrever. até que a noite esconda a paisagem.  a natureza tem segredos - eu tenho mudez e vergonha.

* * *

Caderno de Viagem

 

reaprendo a contar dias . percorro o caminho do olhar.  água, tuiuiús e sentimentos. se não soubesse o que ser seria ainda assim algum pedaço de caminho entre o que vejo e o que penso. todo olhar deveria ver novo até desfazer solidão. queimar planície - testar pele. sem protestos o sol convence firme: o caminho à frente será curto se o trajeto não for meu. tenho passo longo - falo sério. biodiversidade deveria ser palavra e chave. abro meu caderno e espio quente a arara azul que compreende o jeito com que voa meu pensamento. além do quê, o olho não alcança  a queimada que inibe o azul do céu - uma outra cor da vida.  eu queimo por dentro ao ver o que me resta: o velho combustível de alma - escrever, escrever e escrever. até que a noite esconda a paisagem.  a natureza tem segredos - eu tenho mudez e vergonha.

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